Panorama Político e Econômico II - por Germano Rigotto

Agenda da semana
Hoje, dia 17
O Ministério do Trabalho anuncia os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes ao mês de abril.
Amanhã, dia 18
Receita Federal divulga arrecadação de abril.
Quarta-feira, dia 19
O FED (banco central dos EUA) divulga a ata da reunião de política monetária ocorrida entre os dias 27 e 28 de abril. Na ocasião, decidiram manter o juro na faixa de zero a 0,25% ao ano.
Quinta-feira, dia 20
IBGE divulga IPCA - 15 de maio
Na minha agenda
Na terça-feira, dia 18, em Porto Alegre, participo na Fiergs, com o presidente da ABIMAQ, Luiz Aubert, de jantar da Regional Sul da entidade.
Na quarta-feira, dia 19, em Belo Horizonte, realizo a palestra de abertura do Seminário"Pacto Federativo, Questão Tributária e Políticas Públicas no Brasil", na Assembléia Legislativa de Minas Gerais.
Na sexta-feira, dia 21, participo como debatedor do 6º Fórum Político Unimed/RS no painel "Sustentabilidade – Nova Política, Novo desenvolvimento".
No sábado, dia 22, estarei em Caxias do Sul, na comemoração do aniversário de 80 anos de Raul Randon.
No domingo, dia 23, participo da Maratona de Porto Alegre.
Cortes no Orçamento
O governo anunciou na semana passada cortes de R$ 10 bilhões no Orçamento da União. O objetivo é conter a alta do PIB, que pode chegar a 7,5% segundo previsões de economistas, e ajudar o BC no combate à inflação.
Vendas no varejo
Dados do IBGE mostram que as vendas do comércio varejista cresceram 1,6% entre março e fevereiro, terceira alta consecutiva. Em relação a março de 2009, a alta foi de 15,7%.
Emprego na indústria
O emprego na indústria cresceu 0,7% em março na comparação com fevereiro, de acordo com o IBGE. Esta é a terceira alta consecutiva.
Focus prevê PIB de 6,30%
A pesquisa semanal Focus, divulgada nesta manhã pelo Banco Central prevê um crescimento do PIB em 2010 de 6,30%. A estimativa para a produção industrial foi de 10,40%. O mercado financeiro elevou também a previsão para a inflação a ser apurada pelo IPCA em 2010, que deverá chegar aos 5,54%. A estimativa para a taxa básica de juros (SELIC) para o fim de 2010 manteve-se em 11,75% ao ano. O Focus manteve também, a previsão do dólar ficar no patamar de R$ 1,80 no fim de 2010.
IPC-S subindo em maio
Cinco capitais analisadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) verificaram avanço na taxa de variação do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) na primeira medição de maio. Foi o caso de Belo Horizonte, onde o indicador saiu de 0,49% para 0,66% de avanço. Em Brasília o índice de preços deixou acréscimo de 0,75% no fim de abril para 0,88% na leitura inicial deste mês. Em Porto Alegre, o IPC-S saiu de 0,51% para 0,52%. São Paulo aumentou de 0,52% para 0,53%.
A obesidade dos americanos
O governo americano começou a controlar o marketing de alimentos não saudáveis para crianças, com o objetivo de enfrentar o aumento da obesidade infantil. Segundo relatórios do governo, um terço dos americanos entre 02 e 19 anos está obeso ou acima do peso.
As vendas da BMW
A BMW, que é dona das marcas Mini e Rolls-Royce, vendeu 116.391 carros em abril, o que representa 14,6% a mais do que o mesmo mês do ano passado. Este desempenho tem a ver com a demanda crescente na Europa e nos Estados Unidos e os grandes ganhos na Ásia. GM e Volks apresentaram, hoje pela manhã, balanços positivos do primeiro trimestre do ano.
Gávea compra 14,5% da Odebrecht Realizações Imobiliárias
A Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, acaba de anunciar a união com a Odebrecht Realizações Imobiliárias. A Gávea comprou 14,5% da área imobiliária do Grupo Odebrecht. Marcelo Odebrecht, disse que a sociedade é estratégica e vai permitir maior acesso a investidores. A empresa de Armínio Fraga terá três, de oito assentos no Conselho de Administração da O.R.I.
Transporte aéreo cresce 23%
A Anac anunciou que em abril o transporte aéreo de passageiros cresceu 23,4% em comparação com o mesmo mês de 2009. A TAM permanece na liderança do mercado doméstico com 42, 1% de participação. A GOL é a segunda com 40,6%. A WEBJET teve uma fatia de 5,8% enquanto a AZUL, ficou com 5,5%.
Lucro da Marcopolo
A caxiense Marcopolo produziu 6.134 ônibus no primeiro trimestre de 2010. A empresa teve um lucro, no período, de R$ 69,1 milhões. O resultado representa crescimento de 46,6% na receita líquida e de 55,9% na produção. A Marcopolo fornecerá os ônibus utilizados na África do Sul, durante a Copa do Mundo. 700 unidades foram encomendadas para o evento.
Recuperação mexicana
Em abril a produção de carros no México subiu 69,6% ante o mesmo período de 2009. As exportações de automóveis por sua vez, tiveram um aumento de 56,7% no mês. Este desempenho tem a ver com a recuperação da economia americana.
Revistas semanais
Na Veja da semana, vale a pena a leitura sobre os novos milionários no Brasil. Em um ano, segundo a reportagem, 50 mil pessoas tornaram-se milionárias no país.
Na IstoÉ reportagem mostra que a união de juros de juros baixos, crédito longo e farto e economia estável fará de 2010 o ano com maior volume de vendas de imóveis das últimas três décadas no Brasil.
Já na Exame, destaco a matéria sobre a utilização dos cartões de crédito pelos grandes bancos para atrair a baixa renda.
Frases
"O Tribunal mais rigoroso do mundo é o da consciência". - Francisco de Assis
"Nada se esquece mais lentamente do que uma ofensa e nada mais rápido que um favor". - Martinho Lutero
WEB TV
Na minha Web TV desta semana, que irá ao ar amanhã, falo sobre o grande momento da construção civil no Brasil e suas conseqüências na geração de emprego e renda.Clique aqui para assistir minha Web Tv
OPINIÃO - Germano Rigotto*
Diversificar para proteger
Por boa parte do século passado, Detroit foi a menina dos olhos da indústria dos Estados Unidos. Sua prosperidade, impulsionada a partir da década de 50, inspirava o mundo. A cidade incorporava como nenhuma outra o desenvolvimento pujante do setor automotivo. Lá foram instaladas as montadoras de automóveis conhecidas como "as três grandes": Ford, General Motors e Chrysler. O motor de sua economia criava, desde então, fortes laços de dependência com o setor automotivo: concentrava 40% dos empregos da metrópole e também a maior parte do PIB.
Nos anos 80, foi sentido o primeiro baque: concorrentes japoneses começaram a desafiar a hegemonia norte-americana no ramo. Junto às montadoras de automóveis, Detroit enfrentou sérias dificuldades financeiras. E o poderio de outrora dava indícios de que poderia ruir. Tais indícios, finalmente, converteram-se em realidade na última crise internacional. Enquanto os Estados Unidos amargavam uma recessão que perpassava todos seus setores produtivos, Detroit – em função da forte retração nas vendas de automóveis e do fechamento de fábricas – foi ainda mais abalada.
A decadência da indústria automobilística arrastava junto consigo seu berço. A metrópole transitou de um extremo ao outro – foi de próspera a decadente. Hoje, é a cidade grande mais pobre do país. Mais da metade da população encontra-se abaixo da linha de pobreza e a taxa de desemprego supera a alarmante casa dos 30%.
O caso de Detroit evidencia como a forte dependência de um único setor produtivo é prejudicial à saúde de uma economia. Agora, tardiamente, a metrópole tenta recompor-se através do desenvolvimento do agronegócio. Com outras proporções, o peso do petróleo e do gás no mercado russo desencadeou, na última década, um ciclo de prosperidade. Porém, o sinal de qualquer depreciação das commodities leva o país a periclitar. Situações semelhantes ocorrem em diversas partes do planeta.
As turbulências financeiras havidas entre 2008 e 2009 puseram a musculatura das economias de todo o mundo em prova. Enquanto nações atreladas a poucos setores sofreram maior impacto e demoram em reconstruir-se, aquelas com vocações pulverizadas não somente tiveram os danos atenuados, como também saíram na frente no período pós-crise. E o caso brasileiro, nesse aspecto, é particularmente exemplar. Possuímos um agronegócio moderno aliado a uma indústria pujante – que produz desde petróleo e aço a automóveis e aeronaves – e um setor de serviços em franca ascensão. A diversificação, como se vê, além de sua importância interna, é uma eficiente ferramenta de proteção macroeconômica. Trata-se de um caminho em que o Brasil deve persistir e avançar.
*Ex-governador do Rio Grande do Sul e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ( www.germanorigotto.com.br )











