Panorama Político e Econômico III - por Germano Rigotto

Agenda da semana
Hoje, dia 10
Ocorre a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S)
Sai a primeira prévia do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M)
A China apresenta o Índice de Preços ao Consumidor, as vendas no varejo e a produção industrial
Amanhã, dia 11
A Fipe anuncia o IPC de abril
Quarta-feira, dia 12
Ocorre o anúncio do PIB da zona do euro
É divulgado o levantamento das vendas no varejo no país
Quinta-feira, dia 13
Ocorre a divulgação do número de pedidos semanais de seguro-desemprego nos EUA
Sexta-feira, dia 14
Ocorre a divulgação do IGP-10 de maio
O Departamento de Comércio dos EUA divulga asvendas no varejo e a produção industrial de abril
Na minha agenda
Amanhã, em Lajeado (RS), palestro sobre " O Brasil e o Seu Novo Ciclo de Desenvolvimento" na Semana Acadêmica de Ciências Contábeis, no Centro Universitário Univates.
Na quarta-feira, em Gramado, palestro sobre " O Atual Cenário Econômico" no 4º Seminário de Altos Estudos para oficiais da Brigada Militar.
Pacote europeu faz bolsas se recuperarem
Continua bastante preocupante o cenário de problemas financeiros enfrentados pelos países do chamado grupo dos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). O pacote de estabilização da zona do euro, anunciado pelo FMI e pela União Europeia no final de semana, pode chegar a 750 bilhões de euros.
A medida já fez com que as bolsas da Ásia fechassem em alta nesta segunda-feira. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio subiu 1,6%. Hong Kong fechou em alta de 2,54%. Na Europa, as bolsas também subiam pela manhã. Por volta das 10h, Londres subia 4,74%, Frankfurt 4,76%, Paris 8,25% e Atenas, 10,04%. O pacote ameniza a situação de insolvência dos PIIGS e de outras nações da Europa, mas ainda pode haver novas turbulências por conta do grande déficit desses países.
Confira no quadro abaixo o tamanho do déficit fiscal de alguns países.
O déficit fiscal de 2009, em % do PIB
Inglaterra 14%
Grécia 13%
Irlanda 12%
Espanha 12%
França 8%
Portugal 8%
Itália 5%
Alemanha 3%
Brasil 3%
EUA 10%
China 4%
Espanha representa a principal ameaça
Apesar da grande repercussão em torno da situação difícil da Grécia, a Espanha é que representa hoje a principal ameaça para a estabilidade do euro. A dívida pública do país, de 54,3% do PIB, é considerada baixa se comparada com a grega, mas como a economia espanhola é quatro vezes maior do que a da Grécia, o perigo é muito maior. Além do déficit orçamentário daEspanha ter subido para 12% do PIB em 2009, quatro milhões de espanhóis estão sem trabalho (taxa de 20%). A possibilidade de um estouro da bolha imobiliária é outro fantasma que assombra o país.
O risco do calote dos PIIGS
Chega a US$ 3,4 trilhões a enorme exposição dos bancos internacionais aos PIIGS. O valor inclui bônus dos governos, dívidas de empresas e até empréstimos pessoais. O risco de calotegera especulações de qual seria a perda potencial dos bancos, principalmente os europeus, inseridos em economias com sérios problemas de solvência e credibilidade fiscal, como as dePortugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha.
Confira no quadro abaixo o tamanho da exposição de cada um desses países.
O tamanho da exposição
Portugal US$ 252 bilhões
Irlanda US$ 710 bilhões
Itália US$ 1,19 trilhões
Grécia US$ 298 bilhões
Espanha US$ 944 bilhões
Petrobras já é a 18ª maior empresa do mundo
Ranking da revista Forbes coloca a Petrobras na 18ª posição entre as 100 maiores empresas do mundo. A lista da Forbes contempla as 2 mil maiores empresas privadas do mundo e leva em consideração fatores como receita, lucro, total de ativos e valor de mercado. No ranking das 100 maiores, destacam-se também o Bradesco, na 51ª posição, o Banco da Brasil, na 52ª colocação, e o Itaú/Unibanco, na 82ª posição.
O resultado da fusão da ETH e da Brenco
A união dos ativos da ETH e da Brenco resultou na maior produtora mundial de etanol e energia elétrica a partir da biomassa. Em 2012, a ETH poderá produzir 3 bilhões de litros de etanol. Com investimento total de R$ 7,3 bilhões, a nova empresa terá 10 mil funcionários em 2012, um aumento de 2,4 mil pessoas em relação ao efetivo de 2010. Na fusão, a Odebrecht, em associação com a Sojitz, passou a deter 65% do capital da ETH Bioenergia, e os acionistas da Brenco participam com 35%.
Os novos desafios da Braskem
Depois de formar uma joint venture com a mexicana Idesa, a Braskem vai desenvolver um projeto petroquímico integrado para produção de eteno e polietileno em solo mexicano, usandogás natural como matéria-prima. Com capacidade para 1 milhão de toneladas/ano de polietileno, as novas plantas deverão entrar em operação em 2015.
Bom Gosto já é a segunda em captação de leite
Levantamento divulgado pela Leite Brasil aponta que a Laticínios Bom Gosto passou da quarta para a segunda colocação no ranking de captação de leite no país. No ano passado, a empresa recebeu 1,22 milhão de litros, contra 966 mil litros em 2008, o que representa crescimento de 26,7%. À frente da Bom Gosto está apenas a Nestlé, que captou 2,05 milhões em 2009.
Participação do BNDESPar
O crescimento da Bom Gosto tem sido apoiado pela BNDESPar, que tem participação de 34,6% no capital da empresa de laticínios. Desde 2007, a Bom Gosto fez sete aquisições. Comprouas mineiras DaMatta e Santa Rita, as gaúchas Corlac e Nutrilat, a paranaense Líder e a catarinense Cedrense, além de uma unidade da Nestlé em Barra Mansa (RJ) e outra da Parmalat em Garanhuns (PE).
Ampliação do crédito para bens de capital
O BNDES ampliou de R$ 44 bilhões para R$ 124 bilhões o total de recursos que serão disponibilizados com taxas abaixo do mercado dentro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). O maior benefício será para o financiamento de bens de capital, que saltou de um limite inicial de R$ 18 bilhões para R$ 62,5 bilhões. As taxas de juros passaram de 4,5% para 5,5% ao ano, para contratações firmadas a partir de 1º de julho. A linha para exportações de bens de capital, por sua vez, foi de R$ 8,6 bilhões para R$ 15,9 bilhões.
Outros limites foram ampliados. Para a compra de ônibus e caminhões por grandes e médias empresas, por exemplo, o total passou de R$ 10 bilhões para R$ 28 bilhões.
Menos crédito para o consumidor
Pesquisa da Serasa Experian aponta que o crédito ao consumidor deve crescer a um ritmo mais moderado do que o atual, resultado direto do início do ciclo de aumento da taxa básica de juros. O estudo indica que o movimento de menos crédito ao consumidor deve começar neste segundo trimestre, acentuando-se na segunda metade do ano. Em março, o crédito ao consumidor caiu 1,1% em relação a fevereiro.
O peso dos juros sobre o capital de giro
Dados do Banco Central indicam que os juros reais médios praticados no Brasil em 2009 para pessoas jurídicas giraram, em média, mais de 30 pontos percentuais acima dos praticados em países concorrentes. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas apurou que a prática de juros reais de 30% acaba gerando um custo financeiro do capital de giro de 8,35%.
O novo recorde nas exportações de soja
As exportações de soja do Brasil alcançaram em abril um recorde para o mês, de 4,91 milhões de toneladas, marca que supera o melhor resultado até então, registrado em 2009, quando o país exportou 4,49 milhões de toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). As exportações de abril só perdem para as de junho de 2009, que atingiram 6,17 milhões de toneladas, recorde histórico para todos os meses.
O crescimento das importações
A importação de bens de consumo somou US$ 2,24 bilhões em abril, alta de 49,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a importação de bens de capital atingiu US$ 2,85 bilhões, crescimento de 18,9% na comparação com abril de 2009. A importação de matéria-prima e intermediários, por sua vez, chegou a US$ 6,34 bilhões, elevação de 65,1% no período. Apesar do grande aumento das importações, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por enquanto, não estuda adotar medidas protecionistas.
Focus já prevê PIB de 6,26% em 2010
O relatório Focus do Banco Central, divulgado na manhã desta segunda-feira, prevê estimativa de crescimento do PIB de 6,06% para 6,26%. Trata-se da maior previsão de expansão do PIB desde 1986, quando o país cresceu 7,49%, segundo o IBGE.
Confira outras previsões do Boletim Focus para o ano:
Inflação/IPCA 5,5%
Selic 11,75% ao ano
Câmbio/dólar R$ 1,80
Superávit da balança comercial US$ 13 bilhões
Investimento Estrangeiro Direto (IED) US$ 38 bilhões
Outros indicadores
A retomada do setor industrial
Levantamento do IBGE mostra que a produção industrial subiu 2,8% em março em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2009, a alta foi de 19,7%, o maior crescimento mensal apurado desde abril de 1991. No primeiro trimestre, houve crescimento de 18,1%, também o maior em 19 anos.
A alta no faturamento da indústria
Em palestra no Seminário Estadual sobre a Lei Orgânica do Fisco
Estudo da Confederação Nacional da Indústria mostra que o faturamento real da indústria subiu 4,3% em março, na comparação com fevereiro. Em relação a março do ano passado, a alta foi de 14,7%. Já no primeiro trimestre deste ano, o faturamento da indústria registrou crescimento de 12% na comparação com o mesmo período de 2009.
IGP-DI acelera em abril
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu em abril para 0,72%, após variação de 0,63% em março, segundo estudo da FGV. A elevação no mês passado foi puxada por variações nos preços do atacado (sobretudo alimentos) e da construção civil.
Queda do lucro líquido da Vale
A Vale obteve lucro líquido de R$ 2,87 bilhões no primeiro trimestre, queda de 8,6% em relação ao mesmo período de 2009. A companhia sustenta que a redução do lucro líquido foi provocada pela variação cambial e pelos preços do minério no período.
Mercado imobiliário
O ano de 2009 teve aumento, em média, de 13,28% do estoque de imóveis para locação em Porto Alegre, após redução de -10,09% em 2008. O estoque médio mensal de ofertas em 2009 foi de 4.985 unidades, enquanto em 2008 foi de 4.383 unidades.
A recuperação do setor automotivo nos EUA
Apesar de lenta, a recuperação do setor automotivo nos EUA segue em curso. Ford, Chrysler, Toyota e GM anunciaram alta nas vendas de carros e caminhonetes em abril.
As vendas da Ford avançaram 24,7% em abril em comparação com o mesmo mês de 2009, para 167,5 mil veículos. As vendas da GM cresceram 6,4%, passando de 173 mil unidades em abril de 2009 para 183,9 mil no mesmo período de 2010. Chrysler e Toyota também aumentaram suas vendas em cerca de 25%. No geral, as vendas de carros e caminhonetes nos EUAsubiram 20% na comparação com abril de 2009.
A queda nas vendas de veículos em abril
No Brasil, as vendas de veículos caíram em abril. Os emplacamentos de automóveis e comerciais leves no Brasil atingiram, no mês passado, 261.922 unidades, queda de 22,37% em relação ao total de 337.378 veículos vendidos em março, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). De janeiro a abril, as vendas do setor avançaram de 1.012.491 unidades, alta de 16,84% na comparação com os 866.515 veículos comercializados no mesmo período de 2009.
O presidente da Fenabrave, Sérgio Reze, acredita que as vendas de automóveis vão crescer cerca de 7% em 2010. Reze atribui a queda de abril ao fim da redução do IPI e o menor número de dias úteis no mês passado.
A fusão da Continental com a United
As empresas aéreas americanas Continental e United confirmaram a fusão na semana passada, da qual surgirá a maior companhia do mundo no setor em tamanho e número de passageiros. O acordo de US$ 3 bilhões ainda precisa ser aprovado por acionistas e por órgãos de defesa da concorrência.
A nova aérea, que usará o nome United, também se tornará a segundo maior empresa em número de passageiros entre o Brasil e os EUA, com 24% de demanda. A companhia só perderá no Brasil para a American Airlines, que tem 36% da demanda, mas estará à frente da TAM, com 23% do fluxo de passageiros.
O prejuízo da Lufthansa
A Lufthansa registrou prejuízo de US$ 393 milhões no primeiro trimestre devido à alta do combustível, greves e mau tempo. A companhia aérea alemã, que teve prejuízo de US$ 348 milhões no mesmo período de 2009, espera encerrar o ano de 2010 com crescimento em seu lucro operacional.
O pré-sal e a TAM
A TAM Empreendimentos e Participações, holding que controla a TAM Linhas Aéreas, assinou carta de intenções com a norte-americana Petroleum Helicopters (PHI). A ideia é formar umajoint venture para operar helicópteros voltados à exploração de petróleo na camada pré-sal. A PHI tem 60 anos no setor, com frota de 246 aeronaves.
A explosão do mercado de sorvetes
A indústria de sorvetes alcançou vendas históricas em 2009 e no primeiro trimestre deste ano. O verão quente, somado à melhora das condições financeiras de boa parte da população brasileira, fez com que as vendas do setor em 2009 ultrapassassem os R$ 2 bilhões pela primeira vez. Nos primeiros três meses de 2010, as altas temperaturas continuaram movimentando muito as vendas. Segundo a consultoria Nielsen, o mercado de sorvetes já movimentou R$ 1,25 bilhão nos três primeiros meses de 2010. O valor é quase o mesmo que a soma vendida durante todo o ano de 2003, R$ 1,22 bilhão. Na comparação com o primeiro trimestre de 2009, o resultado foi 33% melhor.
WEB TV
Na minha Web TV desta semana, que irá ao ar amanhã, falo sobre os reflexos da crise europeia no Brasil e no mundo. Confira aqui um vídeo da semana passada.Clique aqui para assistir
OPINIÃO - Germano Rigotto*
O temor de um novo ciclo
A decisão do Copom confirmando, em sua última reunião, o aumento na taxa de juros, é mais um sinal do já conhecido conservadorismo da nossa política monetária. Conservadorismo porque o cenário atual não tem e nem aponta prognósticos reais de descontrole inflacionário. Basta ver que os últimos índices de inflação já demonstram um recuo nos percentuais. A alta dos dois primeiros meses foi claramente sazonal, em virtude de fatores específicos como o aumento das mensalidades escolares e do preço de produtos agrícolas por causa das chuvas.
Porém, se essa equivocada decisão já está consolidada, precisamos cuidar para que não se torne prática corriqueira no período de recuperação pós-crise. O aumento da Selic representa problemas para médias e pequenas empresas, além de inibir investimentos. Significa também mais capital especulativo ingressando no país, mais problemas no câmbio e, por consequência, mais dificuldades para exportar e facilidades para importar. Os números da balança comercial de abril mostram que, enquanto as importações cresceram 60,8% no mês, em comparação com o mesmo período do ano passado, as exportações aumentaram apenas 23%. Ora, uma medida que presta tamanho desserviço precisa ser ativada apenas em caráter excepcional. E isso é muito diferente de acionar o aumento sempre que a economia mostra tendência de crescimento. Superaquecimento econômico é diferente de aquecimento, sendo que atualmente o caminho é apenas de retomada ao estágio anterior à crise financeira internacional. E a calibragem deste crescimento pode ser feita através de medidas que contenham o crédito e reduzam os gastos do governo.
Ninguém pode defender o fim da responsabilidade macroeconômica com a qual o Brasil tem atuado nos últimos anos. Tanto interna quanto externamente, essa postura é um dos pilares que sustentam o novo patamar de desenvolvimento em que nos encontramos. Entretanto, manter os juros contidos significaria um importante gás aos setores produtivos. Jamais um risco à estabilidade. Conquistar uma taxa de crescimento de 6% do PIB – como se projeta – é uma meta que também deve fazer parte das pretensões nacionais. Isso porque, ao alcançar esse indicador, o Brasil estará necessariamente incluindo mais pessoas no mercado de trabalho e ampliando a musculatura dos setores produtivos. Se o país está crescendo, pois bem: que cresça mesmo. E que o aumento de juros não iniba essa evolução.
*Ex-governador do Rio Grande do Sul e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ( www.germanorigotto.com.br )











