
Agenda da semana
Hoje, dia 26 de abril
- Ocorre a divulgação do resultado da balança comercial da 4ª semana de abril
Amanhã, dia 27 de abril
- Início da reunião do Copom
Quarta-feira, dia 28 de abril
- Ocorre a divulgação da nova taxa Selic pelo Copom
- O Banco Central norte-americano (Fed) anuncia a nova taxa básica de juros dos EUA
Quinta-feira, dia 29 de abril
- O Tesouro Nacional divulga os resultados do governo central em março
- IBGE apresenta taxa de desemprego em março
- FGV divulga o IGP-M de abril
Sexta-feira, dia 30 de abril
- O Banco Central anuncia o resultado do setor público consolidado em março
- Ocorre a divulgação do PIB norte-americano no primeiro trimestre
Sábado, 1º de maio
- Feriado do Dia Mundial do Trabalho
Na minha agenda
- Amanhã, participo, em Porto Alegre, de café da manhã com a diretoria da Federação Israelita do Rio Grande do Sul.
- Na quarta-feira, às 9h, palestro sobre “A Reforma Tributária que o Brasil Precisa” no 1º Seminário sobre Arrecadação e Tributação Municipal, promovido pelo DPM (Delegações de Prefeituras Municipais), em Porto Alegre.
- Também na quarta-feira, às 15h30min, em Porto Alegre, falo sobre “O Novo Pacto Federativo” no Encontro Técnico de Gestores Municipais do Rio Grande do Sul.
- Na quinta-feira, às 9h, em Piracicaba (SP), palestro sobre “O Atual Cenário Político e Econômico e as Perspectivas para o Futuro” em encontro regional da Abimaq de São Paulo.
Selic deverá subir 0,50%
Infelizmente, deverá se confirmar na quarta-feira aquilo que se temia: o início de um novo ciclo de alta dos juros. A reunião do Copom deverá anunciar um crescimento da taxa Selic de 0,50%. Será o fim do que o presidente do BC, Henrique Meirelles, denominou de política monetária acomodativa. Pelo menos uma das duas razões levantadas para aumentar a Selic, o aumento da inflação e o forte crescimento da economia, é frágil. Os últimos indicadores demonstram que a inflação cresceu nos dois primeiros meses do ano por razões sazonais e que, agora, ela deve voltar a patamares corretos. Por isso, não existe um risco tão forte para não se atingir a meta estipulada pelo BC para a inflação no ano.
Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento
Na última sexta-feira, participei da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), em Brasília, quando o debate foi centrado na Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento. Quando da minha intervenção no encontro, sugeri que, para que o país possa ter um crescimento sustentável de mais de 5% do PIB nos próximos anos, terão de ser enfrentados, entre outros desafios:
1º - a realização das reformas estruturais, que estão esquecidas: a tributária, a política e a revisão do pacto federativo;
2º - um maior estímulo à integração entre universidade, iniciativa privada e Estado, com o fortalecimento dos Parques Tecnológicos;
3º - o apagão de mão de obra especializada, com investimentos maciços na formação profissional de nível técnico.
Focus prevê inflação de 5,41%
contramão dos últimos indicadores, o relatório Focus do Banco Central, divulgado na manhã desta segunda-feira, prevê que a inflação do ano chegará a 5,41%.
Confira outras previsões do Boletim Focus para o ano:
Câmbio/dólar R$ 1,80
Superávit da balança comercial US$ 12 bilhões
Investimento Estrangeiro Direto (IED) US$ 38 bilhões
PIB 6%
O crescimento do PIB no Brasil e no mundo
Relatório divulgado pelo FMI prevê crescimento de 4% para a América Latina e o Caribe neste ano e no próximo, depois de uma retração de 1,8% em 2009. A projeção do organismo para o Brasil é de crescer 5,5% em 2010 e 4,1% em 2011, após queda de 0,2% em 2009. O Peru tem a melhor previsão de expansão na América Latina, 6,3% em 2010.
O estudo alerta para a necessidade de reversão dos estímulos dados pela política monetária no Brasil tão logo surjam sinais de superaquecimento da economia. Confira no quadro abaixo as projeções do crescimento mundial em 2010 e 2011.
Projeções do FMI para 2010 em % do PIB
País 2010 2011
Estados Unidos 3,1 2,6
México 4,2 4,5
Alemanha 1,2 1,7
França 1,5 1,8
China 10,0 9,9
Índia 8,8 8,4
Rússia 4,0 3,3
Japão 1,9 2,0
Brasil 5,5 4,1
Expansão mundial 4,2 4,3
A expansão da economia argentina
A economia argentina registrou crescimento de 5,4% no primeiro trimestre, na comparação com igual período de 2009. Dois fatores novos contribuíram para a expansão acima da esperada: a supercolheita de soja e o forte crescimento do consumo. A safra de soja na Argentina deverá chegar a 54,5 milhões de toneladas.
A recuperação da economia brasileira, que absorve quase um terço das exportações argentinas, também estimulou o crescimento de 15% da indústria argentina. O PIB argentino deve crescer pelo menos 4,5% nesse ano.
A compra do Banco Patagônia pelo BB
Por falar na Argentina, o Banco Patagônia, o sexto maior do país, passou a ser controlado pelo Banco do Brasil (BB). A instituição brasileira pagará US$ 479,6 milhões (R$ 839,3 milhões) para ter 51% das ações do banco argentino, conforme o negócio anunciado na semana passada. O Banco Patagônia tem 154 agências e 751,6 mil clientes. Ao comprar o Banco Patagônia, o BB dá mais um passo na sua estratégia de internacionalização.
O recuo do IPCA-15 e do IGP-M
Repito: o recuo de dois índices de inflação anunciados nos últimos dias confirma que o aumento de preços nos dois primeiros meses do ano ocorreu por razões sazonais e que, portanto, no meu modo de ver não há risco de o país não atingir a meta inflacionária estipulada pelo Banco Central para o ano. A inflação medida pelo IPCA-15 recuou para 0,48% em abril, contra 0,55% em março. Já o IGP-M ficou em 0,50% na segunda prévia de abril, contra 0,91% registrado no mês anterior.
GM paga dívida para tentar recuperar imagem
Num movimento para tentar melhorar sua imagem após as dificuldades enfrentadas durante a crise econômica global, a GM anunciou o pagamento, antes do prazo, de US$ 6,7 bilhões em empréstimo do governo norte-americano. O valor é apenas uma parte dos US$ 50 bilhões que a montadora recebeu de ajuda do governo.
Recorde na demanda por crédito
A demanda por crédito bateu recorde em março, estimulada pelo aumento do emprego e da renda e pelo fim do IPI menor para automóveis e eletrodomésticos. Conforme levantamento do Serasa Experian, a alta foi de 18,3% em relação a fevereiro, o nível mais alto desde que o indicador começou a ser calculado, em janeiro de 2007. No quadro abaixo, outros números sobre o aumento da demanda por crédito no país.
Índice do aumento da demanda na faixa dos que ganham menos de R$ 500 32,9%
Índice de crescimento da demanda entre os brasileiros que ganham mais de R$ 10 mil por mês 32,2%
Índice de aumento da demanda no primeiro trimestre de 2010 21,6%
Perspectiva de emprego cresce
Indicador que mede a intenção de contratação e de demissão das empresas para três meses, a perspectiva para o emprego industrial atingiu em março o segundo melhor resultado da década e já supera o período favorável ao emprego que antecedeu a crise, de acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No mês passado, das 1.165 indústrias consultadas pela FGV, 30,6% pretendiam contratar entre março e maio deste ano e 5,4% planejavam cortes.
Dólar maior no fim do ano
Por conta da volatilidade gerada pelas incertezas das eleições presidenciais e um déficit maior na conta corrente, muitos analistas do mercado financeiro já apontam que o dólar poderá chegar a R$ 1,90 no final do ano, ganhando força em relação ao real.
Outros indicadores:
Crescimento da atividade econômica
A economia cresceu 7,4% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês de 2009, acumulando alta de 7,3% no primeiro bimestre de 2010, conforme levantamento do Serasa Experian. A alta foi causada pelo crescimento dos investimentos produtivos (24,3%), do consumo familiar (10,5%) e das exportações (13,3%). O setor industrial foi o que mais contribuiu com o avanço, com crescimento de 13,4% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado.
Arrecadação recorde da Receita
A arrecadação da Receita Federal voltou a bater recorde no mês de março. Impostos e contribuições somaram R$ 59,4 bilhões, a maior arrecadação para o mês na história. Os dados da Receita apontam uma alta real de 6,08% sobre março de 2009 e de 10,40% sobre fevereiro deste ano. No trimestre, a arrecadação chegou a R$ 185,9 bilhões e apresentou aumento real de 11,01%.
Piora nas contas externas do Brasil
O déficit em transações correntes acumulado no primeiro trimestre somou US$ 12,1 bilhões, o pior resultado para o período desde 1947. No primeiro trimestre de 2009, o déficit em transações correntes era quase três vezes menor (US$ 4,9 bilhões). Em março, o balanço de pagamentos do Brasil com o Exterior registrou déficit na conta de transações correntes de US$ 5,06 bilhões, resultado bastante superior ao do mesmo período em 2009, que foi de US$ 1,5 bilhão.
Dívida externa
Em março, a dívida externa brasileira chegou a US$ 206,4 bilhões. A estimativa da dívida externa no mês é de US$ 172,2 bilhões em compromissos de médio e longo prazo e US$ 34,2 bilhões em pagamentos de curto prazo.
Investimento estrangeiro direto
O ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) no país somou, em março, US$ 2,01 bilhões, valor que não foi suficiente para cobrir o déficit de transações correntes do mês. Em fevereiro, o IED ficou em US$ 2,84 bilhões.
Andamento do Minha Casa, Minha Vida
O programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida chegou a 408.426 unidades contratadas no seu primeiro ano de funcionamento. O dado representa 41% da meta inicial.
Carros novos na Europa
O registro de carros novos na Europa subiu 11,1% em março em relação a um ano antes, chegando a 1,68 milhão. Programas de incentivo à troca por um carro novo na França, na Itália, no Reino Unido e na Espanha compensaram uma queda de 27% nas vendas na Alemanha.
A alta nas vendas da construção
Chegou a 25,8% a alta das vendas de material de construção em março, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo me informou o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Elias Conz, no acumulado do primeiro trimestre o aumento foi de 19,9%. De acordo com Conz, para o ano a estimativa do setor é terminar com 15% de crescimento, embalado pela ampliação do prazo de IPI reduzido até dezembro.
O número de trabalhadores contratados pela indústria de material subiu 9,1% em relação a março de 2009 e 3,2% sobre fevereiro.
Chineses fecham negócio com a Votorantim
A Votorantim Novos Negócios (VNN), dona da Sul Americana de Metais, fechou acordo com a Honbridge Holdings, empresa chinesa de investimentos, para a venda do projeto Salinas, que inclui uma mina de ferro em Minas Gerais. O contrato foi firmado após cinco meses de negociações e ficou em US$ 390 milhões. A mina tem capacidade estimada em 2,8 bilhões de toneladas, o que daria uma média de 25 milhões de toneladas extraídas nas próximas duas décadas. Além da extração de minério, o negócio prevê a construção de um mineroduto e de um porto em lhéus, na Bahia.
Minha Opinião: o governo brasileiro tem de ficar atento a determinados investimentos chineses no Brasil. Comprar minério é bem diferente de comprar minas.
Selo da Receita para vinhos nacionais e importados
Assim como ocorre com uísques, cachaças, vodcas, licores e outras bebidas alcoólicas, os vinhos nacionais e importados passarão a ter um selo de controle da Receita Federal em breve. A certificação foi pedida ao Ministério da Agricultura pelos produtores brasileiros, por meio da Câmara Setorial do Vinho. Fabricantes e importadores terão de selar os vinhos produzidos a partir de 1º de novembro. Restaurantes, atacadistas e varejistas, por sua vez, serão obrigados a vender os produtos com selagem somente a partir de 1º de julho de 2011.
Cartões de crédito na mira do governo
Se as operadoras de cartão de crédito não apresentarem uma proposta de autorregulamentação para o setor até o dia 30, o governo federal vai enviar um projeto de lei ao Congresso com normas mais rígidas para a cobrança de tarifas dos consumidores. A União teme que os 30 milhões de consumidores que passaram a usar cartões desde 2002, principalmente da classe C, virem reféns de dívidas por causa de cobranças consideradas abusivas. O principal questionamento do governo é a cobrança de duas tarifas pelo mesmo serviço: taxa de anuidade e manutenção da conta. A ausência de informação na concessão de crédito e a alteração unilateral de contrato também incomodam o governo.
O desafio da Volta da Ilha
Foi inesquecível ter participado dos 150 km da Volta da Ilha, em Florianópolis, com corredores do Brasil e de fora do país. Corri com a equipe gaúcha da Auxiliadora Predial. Fiz 19,4 quilômetros em 1h39min. Realmente, foi um grande desafio.
As franquias da Auxiliadora Predial
No domingo, conversei com o diretor da Auxiliadora Predial, Christian Voelcker, e recebi informações importantes sobre o crescimento desta que é a maior empresa de vendas, aluguéis e administração de condomínios do Rio Grande do Sul. Embalada pelo crescimento da construção civil, a Auxiliadora Predial faturou R$ 80 milhões em vendas em 2008 e R$ 140 milhões em 2009. Segundo Christian, a previsão em 2010 é de crescimento de 100% nas vendas, atingindo R$ 300 milhões. A Auxiliadora Predial está entrando na área de franquias, o que é realmente inovador no setor em que atua a empresa. Já tem 15 franqueados e uma filial em São Paulo.
A expansão da Panvel
Também em Florianópolis, tive a oportunidade de conversar com o diretor da Panvel Farmácias, Luiz Antônio D’Amado dos Santos. Ele estava voltando de Joinville, onde a Panvel inaugurou a 37ª loja em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a rede tem 221 lojas. Segundo D’Amado, o projeto de expansão avançará forte em 2010.
WEB TV
Na minha Web TV desta semana, que irá ao ar amanhã, falo sobre a necessidade dos candidatos à presidência assumirem explicitamente o compromisso com a promoção das reformas estruturais: tributária, política e revisão do pacto federativo. Confira aqui um vídeo da semana passada. Clique aqui para assistir.
OPINIÃO - Germano Rigotto*
A matemática da balança comercial
A recente crise financeira – cujos respingos derradeiros ainda são sentidos em todo mundo – constituiu uma sucessão de episódios inéditos e outros nem tão inéditos assim. No campo das novidades, tivemos, por exemplo, a quebra de algumas instituições e empresas que pareciam predestinadas à eternidade. Na categoria das reincidências, está o rearranjo de fluxos comerciais entre as nações.
Como regra, as turbulências conduzem à diminuição da compra de produtos estrangeiros. Foi o que aconteceu até poucos meses atrás no Brasil. Porém, superados os traumas, o movimento se inverte: a importação tende a ganhar mais fôlego do que a exportação. É exatamente o que ocorre agora, ponto em que reside o perigo.
Apenas no primeiro trimestre deste ano, a balança comercial encerrou com superávit de US$ 895 milhões. À primeira vista, a cifra pode até parecer positiva. Não é. Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve queda de 70%. As estimativas de técnicos do mercado financeiro apontam um cenário futuro turvo. Para 2010, é previsto um saldo comercial de apenas US$ 10 bilhões – menos da metade do valor obtido no ano passado. Para 2011, a margem estreita-se ainda mais: US$ 3 bilhões.
Não bastasse isso, a redução do superávit é agravada pelo fato de o Brasil ser deficitário na conta de serviços – que inclui a remessa de lucros e royalties, pagamento de juros, despesas com fretes, viagens e seguros. E aí a conta simplesmente não fecha. Ou melhor: fecha mal. Os investimentos estrangeiros diretos, neste ano e no próximo, serão insuficientes para corrigir o desequilíbrio na conta corrente. Visando compensar o déficit, serão necessários financiamentos mais dispendiosos.
Para as pretensões nacionais de um crescimento pujante e duradouro, o cenário é preocupante. Caso confirmadas as projeções, estaremos mais expostos às instabilidades do mercado financeiro. E a nossa imagem de solidez – que tanto ajudou o Brasil durante a crise internacional – corre riscos de ser seriamente prejudicada.
A gravidade do problema exige a reavaliação de algumas práticas em curso. Desde já, é necessária uma política mais eficiente de comércio exterior, que promova incremento substancial de exportações. Isso pode ser feito, por exemplo, abolindo uma série de encargos tributários que minam a nossa competitividade, especialmente aqueles que recaem sobre investimentos em máquinas e equipamentos e sobre nossas exportações. Não se pode protelar mais uma solução para o acúmulo de créditos dos exportadores. Tal medida precisa ser contemplada no pacote de estímulo às exportações preparado pelo governo. A matemática da nossa balança comercial não pode perder seu equilíbrio, pois a estabilidade econômica de muitas empresas – e do País – depende dela.
*Ex-governador do Rio Grande do Sul e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ( www.germanorigotto.com.br )











