Tem gente se roendo de inveja em Brasília.
Tombini se fortaleceu definitivamente quando convenceu a cúpula do governo (leia-se Dilma e Palocci) de que a inflação brasileira hoje não é só provocada pelo choque de preços internacionais das commodities, mas também por um descompasso entre oferta e demanda interna, tese que o Ministério da Fazenda rejeita.
Nesta edição, há uma bela reportagem do Valor, mostrando melhor quem é essa descoberta de Armínio Fraga, que o ofereceu a Murilo Portugal (hoje o terceiro nome na hierarquia do FMI, de onde está de saída para assumir a Febraban), com a seguinte argumentação: "Você vai me agradecer a vida inteira. Ele ainda vai ser presidente do Banco Central". Em pouquíssimo tempo, Tombini virou braço direito de Murilo no FMI.
O governo vai implantar, pós-carnaval, outra medida polêmica, que vai mexer com setores da sociedade. Cansado de esperar uma eternidade para poder dar início a qualquer tipo de obra por falta de autorização dos órgãos de defesa do meio ambiente, o Planalto vai afrouxar as regras ambientais.
Um pacote de decretos promoverá "choque de gestão" na área de licenciamento, reduzindo prazos e custos, e mudando procedimentos. Vai dar barulho.
O Brasil rebateu as acusações dos Estados Unidos sobre a política industrial brasileira e diz que os programas de incentivo do BNDES e as isenções fiscais para projetos de desenvolvimento industrial não podem ser considerados subsídios. Haverá novos capítulos. A "guerra do algodão" pode voltar.
Como compensação por não ter colocado São Paulo no mapa da sua viagem ao Brasil, Obama vai oferecer um almoço a empresários no Itamaraty, dia 19 de março.
O governo comemora a fácil vitória na Câmara, se prepara para um embate ainda mais tranquilo no Senado e estuda como punir os "traidores".
A vetusta revista britânica The Economist adorava Lula, mas nunca gostou de Dilma, "uma rígida esquerdista ideológica". Mudou. Na edição que chegou às bancas ontem, reportagem diz que o Brasil é o mais atraente dos emergentes, no momento. Em editorial, analisa Dilma e diz que é "um início que promete".
As únicas coisas que destoam no espaço dado pela revista ao Brasil são as ilustrações. Uma mulata sestrosa coberta com "ações" e uma faixa com "waxing in Rio" (depilação no Rio). Seria mais ou menos o equivalente a uma grande revista brasileira dizer o seguinte da Inglaterra... Bom, deixa prá lá.
Começa hoje, em Paris, a reunião dos ministros das Finanças e dos presidentes dos bancos centrais dos vinte mais influentes países do mundo. Com os Estados Unidos culpando a China e vice-versa pelos desequilíbrios mundiais, com o Brasil não aceitando isto, a China não aceitando aquilo e a França exigindo aquil'outro, a reunião do G20 promete chegar a lugar nenhum.
Sérgio Cabral não queria nem ouvir falar, Eduardo Paes muito menos. Depois de uma reunião com Dilma ontem, saíram dizendo que a nomeação de Henrique Meirelles para presidir a Autoridade Olímpica atende aos três níveis de governo. Mesmo sabendo que a medida provisória que consolidará Meirelles dirá que só ele e mais ninguém pode falar diretamente com o Comitê Olímpico Internacional e dar informações oficiais sobre o andamento das obras.
Colômbia, Paraguai e Chile, quem diria, pediram aos Estados Unidos para conter a política de hegemonia regional do Bolívar de Garanhuns (como o chama Nelson Motta na coluna de hoje), revela o WikiLeaks.
Teodoro G. Meissner
Editor








