Ontem, os juros futuros dispararam e já embutem uma probabilidade de 60% de que a Selic suba 0,75 ponto percentual e não 0,50, como a esmagadora maioria do mercado acreditava até anteontem. Na semana passada já se falava aqui sobre a necessidade de dar uma porretada mais forte nos juros, para tentar conter a inflação e, mais importante, as expectativas inflacionárias dos agentes econômicos.
Carlos Heitor Cony comenta a nova visita de velha senhora, a inflação, e diz que não tem boas recordações das anteriores. Cláudia Safatle diz que a disparada inflacionária é a fatura da despedida de Lula.
Luiz Carlos Mendonça de Barros, olhando os cenários nacional e internacional, acha que é hora de o investidor preservar o capital - e não de multiplicá-lo.
Os países árabes são um dos mercados mais promissores para as empresas brasileiras. Foi de lá que veio no ano passado um quarto do superávit comercial do País. Algumas empresas já falam em contingenciamento. A hora é de prudência, como recomenda Mendonça de Barros. E de espera paciente do desenrolar dos acontecimentos.
O Banco Central de Henrique Meirelles, com as desculpas mais esfarrapadas, nunca divulgou os custos de manutenção das reservas internacionais do País. Logo no segundo mês da gestão Tombini, o dado veio a público de forma transparente. Manter US$ 300 bilhões de reservas custou no ano passado R$ 26,6 bilhões. Ou pouco mais da metade do que Dilma quer cortar do Orçamento deste ano,dizem os jornais. Ou apenas 5,8% do valor total das reservas, diz o Banco Central, lembrando que elas ajudam a blindar a economia brasileira e permitem tomar crédito mais barato no Exterior. Celso Ming comenta.
Falando em Meirelles, ele diz que está pensando se vai aceitar o convite de Dilma para presidir a Autoridade Olímpica, que esta semana teve sua estrutura enxugada. Este colunista aposta um sonho de padaria como ele vai aceitar.
Assessores graduados do governo fizeram questão de dizer ontem que a remodelação da Autoridade Olímpica, ao contrário de algumas versões, fortaleceu o seu presidente. Quem perdeu, enfatizam, foi o ministro do Esporte, Orlando Silva, que iria fazer cinco indicações para o Conselho de Governança da autarquia e agora não vai fazer nenhuma. Tudo fica a cargo do presidente.
Cristina Frias, no seu Mercado Aberto, mostra o custo da inadimplência para o País.
A Natura, que já tinha produção terceirizada na Argentina, vai estender o modelo para Colômbia e México. E pode importar de lá produtos para vender aqui. "Está cada vez mais caro produzir no Brasil", queixa-se o presidente Alessandro Carlucci.
O governo Dilma, todos sabem, é uma continuação do governo Lula. Dilma mandou Paulo Bernardo passar um "pente fino" no projeto do ex-ministro Franklin Martins sobre o modelo para a mídia brasileira. Não quer nenhum termo que sugira uma tentativa de controle do conteúdo dos meios de comunicação, obsessão do ex-ministro. No seu jeito nada mineiro de ser, Paulo Bernardo tascou: "Há grande chance de ter besteira no meio (do texto)".
Aquela empresa a quem Lula queria ensinar como é que se faz - e que rejeitou a consultoria presidencial - teve receita e lucros no ano passado como nunca antes na sua história. "Estamos vivendo nossos melhores dias", comemora o presidente da Vale, Roger Agnelli, que Lula queria derrubar.
Parabéns, leitor. Você, junto com todos os demais contribuintes, também bateu um recorde no ano passado. Pagou em impostos, taxas e que tais, o equivalente a 35,04% do PIB.
Teodoro G. Meissner
Editor








